"Aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior” (Lc 9:48)
A leitura proposta para a Igreja hoje, 27/09, é oportuna, pois está em curso a novena preparatória para a festa de São Francisco (04/10).
E isso porque foi a partir dessa pregação do Cristo, que Francisco visualizou um elemento fundamental do carisma santo que anima as três ordens que, junto com Clara, deixou: a menoridade.
Fazer-se menor é ser simples, estar aberto à verdadeira alegria, disposto a aprender, feliz como uma criança (Lc 18:15-17: “Eu garanto a vocês: quem não receber como criança o Reino de Deus, nunca entrará nele”; Mc 10:14) e compreender a verdadeira beleza do Pai.
Na menoridade, somos iguais a todas as criaturas. Perdemos a arrogância e altura individual, mas conquistamos as planícies costeiras e os altiplanos que se espalham por toda a Terra.
Na menoridade, entramos em comunhão com o todo, sem necessidade de possuí-lo.
Combatemos o mal com o bem, fazendo-se menor para combater a diminuição pela opressão. Não para louvar a submissão, mas para conquistar honra na simplicidade, obedecendo apenas a Deus.
Essa simplicidade e desejo de servir mais a Deus que aos homens, presente nos escritos de Francisco, ganha firmeza diante do segundo relato evangélico:
“João disse a Jesus: ‘Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós lho proibimos, porque não anda conosco’. Jesus disse-lhe: ‘Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor’” (Lc 9:49-50).
Assim Francisco pediu que os seus se comportassem entre os infiéis: primeiro servissem, depois pregassem oralmente, com a firmeza de sempre confessar o Senhor (Regra Não-Bulada, n. 16):
“os frades que vão [entre os sarracenos e outros infiéis], podem comportar-se espiritualmente entre eles de dois modos. Um modo é que não façam nem litígios nem contendas, mas estejam submetidos a toda criatura humana por Deus (1Pd 2,13) e confessem que são cristãos. Outro modo é que, quando virem que agrada ao Senhor, anunciem a palavra de Deus, para que creiam em Deus onipotente, Pai e Filho e Espírito Santo, criador de tudo, no Filho redentor e salvador, e que sejam batizados e se tornem cristãos, porque quem não renascer da água e do Espírito Santo não pode entrar no reino de Deus (cfr. Jo 3,5).”
Francisco foi um idealizador e defensor de uma paz fruto da Justiça e da compreensão, não das armas ou imposta.
Assim ele se portou diante de justos e pecadores. Perante ladrões, líderes, sociedade, ele pregou a mansidão e a busca incessante da paz.
“Seja feita a Tua vontade”
É importante entregar-se à confiança no Senhor e na profunda paz que Ele proporciona. Aceitando os seus desígnios, mas na busca constante da construção de seu Reino, é preciso agir com serenidade, ser “prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10:16).
Inspirados por Francisco, digamos como Jó (1:21): “Nu eu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou: como foi do agrado do Senhor, assim foi feito. Bendito seja o nome do Senhor!”
Paz e Bem!
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